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PALESTRA - 3 GLÓRIAS DA FEB Imprimir

SUMÁRIO

A – INTRODUÇÃO


1 – Palavras Iniciais


2 – Abordagem do Tema


B – OPERAÇÕES INICIAIS


1 – O Brasil na Guerra

2 – Operações Preliminares (Set/Out 44)


C – COMBATE DE MONTE CASTELLO


1 – Tentativas Malogradas (Nov/Dez 44)

2 – Preliminares da Ofensiva da Primavera (Fev/Mar 45)

   - Ataque a Monte Castello (Fim Fev 45)

   - Ataque a La Serra e Castelnuovo (Fev/Mar 45)


D – COMBATE A MONTESE


1 – Ofensiva da Primavera

2 – Ataque a Montese (14/17 Abr 45)


E – COMBATE DE COLLÉCHIO - FORNOVO


1 – Aproveitamento do Êxito

2 – Perseguição

3 – Combate de Collechio – Fornovo


F – 3 GLÓRIAS DA FEB


1 – Castello

2 – Montese

3 – Collechio – Fornovo


G - COMENTÁRIOS


A – INTRODUÇÃO


1 – Palavras Iniciais


- Autoridades, Militares e Civis, Sras /Srs

 

- Ilustres Presidentes,  da ANFEB,  do CEBRES  e  da AHMITE  respectivamente Gen Rosendo, Brig Terra e Cel Bento.


- Companheiros Febianos presentes.


- Desejo depositar, como primeiras palavras, minha Profunda Emoção, ao Relembrar Fastos da FEB, Feitos Excepcionais dos Nossos Heróicos Pracinhas.
Centenas Sacrificados no Cumprimento do Dever, cujos Restos Mortais  –  um dos  quais  de Identidade só Conhecida por Deus  –  Descansam neste Campo Santo, Majestoso Monumento Nacional.


- Feitos que nos Orgulham  –  Forças Armadas e Nação Brasileira  –  tais os Sacrifícios Imensos, nos Níveis P/E, E/M e Op/T.


- Decorrentes de uma Nação Despreparada para a Guerra Moderna,  a  Exigir Esforços de Guerra, Total e Global. E estarem as FA Obsoletas, em Particular a Força Terrestre,  desdobrada  no  Território  Nacional. Tudo,  porém,  Superado pela Vontade de  1  Força Expedicionária,  Determinada  a Lutar e Vingar a Soberania Ofendida, os  Ataques Traiçoeiros dos Submarinos alemães.


2 – Abordagem do Tema


- Nesse Propósito, Vamos Elencar, Realçando, 3 Glórias Maiores da Campanha da FEB no Teatro de Operações Italiano, em 44/45.


- Indicadoras da Capacidade Profissional  e  liderança,  do Comando  e das Unidades Operacionais e da Disciplina, Abnegação, Estoicismo,  Superiormente Exponencializados pelo Nosso Pracinha.


- Todos, Magnificamente Conduzidos, por Quadros, Competentes e Determinados, de Oficiais e Sargentos.


3 - Cenários Épicos-Apologéticos:  1º,  nos Preliminares da  Ofensiva da Primavera (Ataque ao M. Castello);  2º, na Ofensiva da Primavera (Conquista de Montese); e, o 3º, na Perseguição ao Inimigo (Cêrco em Collechio-Fornovo).


- Para tal  Desideratum, vamos Configurar  os Cenários Envolventes  desses Eventos; Praticamente Itemizados.


B – OPERAÇÕES INICIAIS


1 – Brasil na Guerra


- Com a Declaração de Guerra à Alemanha/Itália, em Ago 42, o Brasil decide enviar uma Força Expedicionária para lutar no TO italiano; mas só em Ago 43, uma Portaria define as Normas para Estruturação da 1ª DIE: aproveitadas algumas OM, transformadas outras, criadas novas Unidades. Três meses depois, é designado o General Mascarenhas de Morais para organizar e instruir a Divisão, permanecendo as OM no âmbito das RM (1ª, 2ª, 4ª e 9ª), para efeito disciplinar e administrativo.


- Ademais dos entraves à Mobilização N/M (cenário político-militar e econômico-industrial desfavorável), à Organização, Concentração e Treinamento das Unidades; Seleção de Pessoal (deficiente), Uniformes imprestáveis – dificuldades imensas, doutrinário-operacionais e de estruturação das OM. Revolucionária mudança da Doutrina Militar (da francesa para a americana); organização, armamento e equipamento diferentes, nas Armas e nos Serviços. Instrução de minas, guerra química, foto-informação; mecânico de armamento e equipamento. Além de material de guerra americano insuficiente.


- Enfim, pouco planejamento, muita improvização; instrução dos quadros e tropa deficiente, manobra de pequenos elementos; demora na organização e concentração das unidades no Rio. Métodos e Processos de Combate mais práticos e objetivos. Forças Armadas ainda responsáveis pela Defesa do Território Nacional, sobretudo NE. Por fim, a FEB iria lutar contra tropas altamente experientes, operando num TO muito complexo.


2 – Operações Preliminares do Destacamento FEB   (Gen Zenóbio da Costa)


  (Set/Out 44)

- Vencidas as dificuldades, a FEB embarcou por Escalões (5000 hs, cada), realiza a travessia do Atlântico, até a Frente de Batalha: o 1º, a 02.07.44, chegando a Nápoles a 16.07.44 e daí para Livorno em LCI (lanchas de invasão). Demais Escalões: 2º (22.09), 3º (22.10), 4º (22.11) e 5º (08.02.45), estes dois últimos, Efetivos de Recompletamento.


- O 1º Escalão recebe material e armamento em Vada; inicia o treinamento, com atraso de um mês. O 2º Escalão, em Piza, se prepara para entrar em ação; e a 1ª DIE se reagrupa, para operar no Vale do Serchio.


- O Destacamento FEB (Gen ZC) opera prematuramente no Vale do Serchio (Set/Out 44), decorrência do Reajuste do TO (pós-Desembarque Aliado, da Normandia, a 06.06.44) (9 DI saem do TO: 3, do VEx; 4, do Corpo Expedicionário Francês – CEF; 2, do VIII Ex). Pressiona o inimigo (da Linha do Rio Arno para o Norte), que se instala na Linha Gótica (280 Km), barrando o acesso à Planície do Pó.


- Surpreendentemente, o Dst ZC – de constituição e treinamento recentes – enfrenta um inimigo experiente, campos minados, chuva, bombardeio de artilharia; e consegue sucessivas vitórias: 13.09, captura de Massarosa e Bozzano; 18.09, Camaiore; 25.09, Monte Prano  (honroso e brilhante desempenho, operação elogiada pelo Ctm IV CEx/EUA; muitas baixas); 30.10, ataque a Lama di Sotto e San Quirino; 31.10, primeiro revés na Região de Castelnuovo de Garfagnana (um dos fortes Redutos de Linha Gótica, de Vital importância para a Defesa alemã; defendido pela 232º DI alemã, que desencadeia 2 contra-ataques contra o III Btl/6º RI).


- Morrem, nessa Operação, os primeiros heróis da FEB (3 soldados, o Asp Mesquita e o Ten Pinto Duarte), além de numerosos feridos. Houve excesso de otimismo e ousadia dos pracinhas. Muitos elogios, do Cmt IV CEx e do Cmt VEx, às operações iniciais da FEB.


- Com a chegada do grosso da 1ª DIE a Livorno (11.10.44), equipada e sem treinamento, o Gen Mascarenhas é alertado para integrar o IV CEx; o Cmt VEx via a “necessidade imperiosa de Conquistar Bolonha”, chave do sistema defensivo alemão. Essa Rocada da FEB, do Vale do Serchio para a Região de Porreta Terme, exigiu grandes desligamentos, entradas em linha e substituições, conhecidas como “dança dos batalhões” (em 40 dias/noites, transporte de 40 Btls, quando dispúnhamos de apenas 9!...)


C - COMBATE DE MONTE CASTELLO


1 – Tentativas Malogradas (Nov/Dez 44)


- Defensiva-Agressiva no Vale do Reno (05.11/12.12.44)

Cenário da Posição Defensiva alemã (280 Km): Arco montanhoso (Belvedere, Gorgolesco, La Torracia, Castello, Della Croce, Torre Nerone e Soprassasso). Imenso Nariz em nossas linhas.


- Frente da FEB: 15 Km, sob vistas, fogos inimigos (necessidade de permanente cortina de fumaça).


- Defesa de Monte Castello: primorosa; comando da nossa Base de Partida, dificultando Ataque frontal. Casamatas bem localizadas, protegidas por campos minados.


- O Cmt da IV Ex decidiu iniciar as Operações Preliminares, com um Ataque ao M. Castello, para eliminar a Ameaça à Estrada 64.


- 2 Ataques (24.11 e 25.11.44), de 1 Btl/6º RI e o Esq RCN, subordinados a 1 Task-Force (EUA).


- 2 Ataques (29.11 e 12.12.44), sob comando brasileiro; ataques frontais, igualmente infrutíferos. Para o ataque de 29.11, os 2 Btl chegaram na véspera, à noite, e entraram em posição na madrugada, sem reconhecimento da zona de combate (terreno difícil, fortes chuvas). Parte o ataque às 07:00/29.11; forte reação inimiga; os 2 Btl retraem com 190  baixas, sem meios para evacuar para o H. Evacuação (a 45 Km).


Entre os 3º e 4º Ataques (noite de 2/3.12), 4 Investidas de Patrulhas alemãs (22/00/02/04), na Frente de Guanela, após substituição de 1 Btl por outro, sem reconhecimento (flutuação, pânico, debandada; restabelecido o setor ao amanhecer, após intensa luta. Heróis desta retomada: Ten Ary Rouan e Sgtº Max Wolff).


- Crítica: erros do IV CEx/EUA, exigindo ataque de 1 Dst, quando a linha fortificada exigia o emprego  de 2 Divisões, como foi realizado mais tarde. Desproporção-Meios-Objetivos, unidades estranhas, sem coordenação (fracasso); absoluta incoerência, erro de planejamento do VEx; manobra frontal desastrosa; o E-3/FEB alertara sobre a incompatibilidade da Manobra e da composição dos Meios.


2 – Preliminares da Ofensiva da Primavera


(19.02/06.03.45) – Plano Encore – IVCEx


- Ataque e Conquista das Posições fortificadas de M. Belvedere-Soprassasso-Castello-M. La Torracia (5 ataques, 353 baixas). Fim da neve, volta do Sol.

- 23.00/19.02.45 – Ataque da 10ª DMlh.


- 05.30/21.02.45 – Ataque da FEB (1º RI) ao M. Castello e La Serra.


- 10ª DMth detida em M. Della Torracia (2dias); excepcional vitória da FEB (após 4 meses); às 18:00 hs, conquista Castello e, de peça secundária, Passa a principal na manobra do IV CEx, facilitando a operação da 10ª sobre M. Della Torracia.


- La Serra (23.02.45), ataque noturno do 1º RI, anulando 3 contra-ataques alemães. A conquista da Cota 958 facilitou sobremodo a conduta operacional da 10 DMth.


- M.Castello, vitória militar, triunfo moral; possibilitou Operações nos Valles (Reno/Panaro) e Planície do Pó. Vencido complexo; capítulo emocionante; honra e glória do EB, encerrando 3 meses de obstinada resistência a assaltos de Patrulhas, americanas e brasileiras. Para a FEB, um símbolo; caíra a linha fortificada alemã, que parecia inexpugnável; ao custo, embora, de 1000 baixas (280 mortos); vidas preciosas, desafio ao valor do Nosso Homem, o Pracinha. Castello, início da arrancada da FEB, com sucessivas e brilhantes Vitórias; Admiráveis Episódios, Coragem, Bravura, Estoicismo, Abnegação Até o final no Vale do Pó.


- Muitos Elogios dos Gens. Mark Clark, Truscott, Crittenberg e Belsen, ao Gen Mascarenhas.


- Como Preparação para a Ofensiva da Primavera, ocorrem os ataques, a La Serra – Castelnuovo (22/23.02.45), seguintes aos de M. Castello.


- Castelnuovo (05.3.45), vitória completa, magnífica manobra de 2 RI (6º e 11º); duplo desbordamento, uma das mais belas manobras da 1ª DIE. “Combate modelo”. Excepcional atuação da artilharia brasileira. Houve 61 baixas e eliminamos os últimos observatórios alemães, que enfiavam os Vales do Marano e do Remo.


Homenagem alemã a 3 Heróis brasileiros, mortos em Janeiro, de uma Patrulha do 1º RI, enterrados em Castelnuovo. (outra homenagem haverá a 3 Outros Heróis, enterrados em Montese. Que Atos de Bravura, excepcional Coragem praticaram esses Pracinhas para merecer tamanho Respeito!).


- Rocada da FEB para o Vale do Panaro (06- 03/08.04.45).


- Do Vale do Reno (desde  Nov 44), após Castelnuovo, seguem as Unidades para o Vale do Panaro; Reestruturando o Dispositivo, Recompletando Efetivos e Pequeno Repouso da 1ª DIE.


D – COMBATE DE MONTESE


1 – Ofensiva da Primavera (Início 04.45/Fim 02.05.45)


- A arrancada da FEB, após a conquista de M.Castello – feito excepcional, um símbolo para nossas forças, dominando a Linha Fortificada, que parecia inexpugnável (ao custo, embora, de centenas de vidas) – possibilitou o início da Arrancada febiana, com sucessivas e brilhantes vitórias na Fase Seguinte (fim de 02.45 a 03.45): Preparação para a Ofensiva da Primavera(ataques a La Serra e a Castelnuovo) (22/23.03.45).


- Segue-se a Fase da Ofensiva da Primavera, das Forças Aliadas, o IV Ex realizando o Esforço Principal e a FEB, Peça Fundamental nessa Manobra, para Romper a Posição de Gêngis-Cã, chave dos últimos contra-fortes da Cadeia dos Apeninos.


- Cobrindo o Flanco da 10ª DMlh, a FEB Ataca e Conquista Montese (14.04/17.04.45). Missão de sacrifício para a FEB; Atitude Ofensiva-Defensiva do 6º RI, do 11º RI e do 1º Btl/1º RI; vale dizer, atacar, conquistar e defender o triângulo Montese, Montello e Montebufoni; mantendo o maciço a qualquer preço, pois a missão consistia em conquistar Montese, atraindo fogos e reserva inimigas, para que a 10ª DMlh pudese descer a contra-encosta dos Apeninos, Aproveitando o Êxito sobre Zocca e atingindo o Vale do Pó.


- Essa Operação representou o mais sangrento combate da FEB (mais de 100 baixas), contando com maciço Apoio, da Aviação e da Artilharia, brasileiras. Atuação heroica, ofensiva e ousada a conquista do triângulo Montese, Montebello e Montebufoni, contando com a maior concentração de fogos, brasileira e alemã, sobre a Vila de Montese (a 1000 ms de altitude, em cima de um morro). Ação contínua, intensa, impiedosa (individual e coletiva); combate nos quarteirões da Vila (e até casa a casa).“Combate Epopéia”, como foi denominada a luta, envolvendo o espaço operacional-tático e do combate; atos heroicos, bravura, inesquecíveis.


- A Conquista de Montese teve grande repercussão; maior vitória na Ofensiva do V Ex (em toda a frente) no dia 14.04. “Na jornada de ontem (14) – comentou o Gen W Crittenberg, Cmt IV CEx – só os brasileiros mereceram minhas irrestritas congratulações; com o brilho de seu feito e seu espírito ofensivo, a Divisão brasileira está em  condições de ensinar às outras como se conquista uma cidade”. Na noite de 14 para 15, a área do Montese recebeu 2800 projéteis da artilharia alemã – essa cifra é 3 vezes superior à que foi recebida pelas outras Divisões do IV Corpo, somadas nesse espaço de tempo (...). Elogios à Infantaria, à Artilharia, à Engenharia (abrindo caminho entre as minas), ao Esq Rcn (em Reserva, ocupando posição).


- Montese, adeais da repercussão nas Operações do IV CEx, atraindo a atenção do inimigo, fê-lo pensar ser aí o Esforço Principal para Romper a Frente. Daí ter deslocado suas reservas para o Nosso Setor (Prova: Pg das 334 DI - 2 RI) e 114 DI (2RI) e grande concentração de Artilharia.


- A conquista do Maciço de Montese, chave do Vale do Panaro, possibilitou a posse desse Vale e o desembocar no Vale do Pó. Montese foi palco da mais sangrenta Vitória na Itália. Luta muito dura, rasgos de bravura, cenas comoventes, de liderança, abnegação e solidariedade. Sacrifício do destemido Sgtº Max Wolff, que tomba mortalmente; Ten Ary Rauan, bravo Cmt Pelotão, investindo audaciosamente sobre resistência alemã, indiferente ao canhoneiro, cai mortalmente ferido. O Ten Dentista, Ruy Lopes Ribeiro, que se empolga pelos feitos de seus companheiros, conduz uma turma de padioleiros, pisa numa mina e morre. O Asp Mega, morre heroicamente à frente do seu Pelotão. E, tantos outros bravos se imolam em defesa da Pátria. Enquanto o Ten Iporan Nunes de Oliveira, em audaciosa manobra de infiltração com se Pelotão, investe sobre Montese, penetrando na Vila às 15:15 – 14.45!


E – COMBATE DE COLLECHIO-FORNOVO



1 - Aproveitamento do Êxito (19 a 22.4.45)


- Dia 19 – Início do Aproveitamento do Êxito e Conquista do Médio Panaro.


- Após 4 Dias e Noites de Luta Intensa no Triângulo Montese – Montelo – M. Buffoni, luta encarniçada na Vila montanhosa de Montese, com pesadas baixas da FEB; cumprida com brilho, a Missão de Atacar, Conquistar e Manter  Montese, atraindo Reservas e Fogos da artilharia alemã – Tem início o Aproveitamento do Êxito (19.4), após Retraimento alemão na noite anterior (18/19), para fugir ao Envolvimento da FEB.


- Lançado o Esq Rcn, para retomar contato, na direção do Rio Panaro; operação dificultada pelos campos de minas e armadilhas, estradas destruídas, núcleos de resistência e tiros de artilharia e morteiro do inimigo. Nossa Artilharia continuou cumprindo missões de tiro apoiando a ampla linha de frente da DI.


- Ao anoitecer (19), as tropas alemãs transpõem o Rio Panaro.


- Dia 20 – Continua a Retirada alemã para o norte; tão dinâmica é a pressão da nossa DI, que os alemães nem chegaram a Defender a cidade de Zocca, como haviam planejado. No fim do dia, dos 3 RI lançados no Aproveitamento do Êxito (11º/1º/6º), o I Btl/6º RI estabelece contato com o inimigo em Zocca.


- Dia 21 – Captura de Zocca, sem resistência; inimigo retrai na noite 21/22; o 6º RI ocupa Zocca, sendo lançado o Esq Rcn. A DI brasileira estende-se numa Frente de 23 Km. Nossa artilharia ocupou várias PB deixadas pelos alemães; após Zocca, chegamos a ultrapassar, de 45 min, o Esq Rcn, recebendo tiros da Ação Retardadora alemã.


- Dia 22 – Prossegue o Aproveitamento  Êxito,rumo a Marano (6ª RI e Esq Rcn) – Vignola (11º RI).


- Dia 23 – Ocupadas Marano e Vignola; termina taticamente o Aproveitamento do Êxito. Vignola, em março, encruzilhada nas Operações da DI; a população italiana recebe a tropa com aclamações de júbilo, flores (“Viva aos Nossos Libertadores”...).



2 – Perseguição (23.4)



- Dia 23 – Início da Perseguição.


- Decisão  do Cmt IV CEx: DI brasileira (à Esquerda) e 1ª DB (à Direita). Perseguir o Inimigo; demais Divisões do IV CEx: transpor o Pó, perseguindo os alemães na Direção Verona-Milão, fechamento do Cerco.


- Ainda a 23.04, o Cmt IV CEx determina que os Btls sejam motorizados, com viaturas cedidas pela Artilharia; possibilitando  alcançar os Rios, pela Artilharia; possibilitando alcançar os Rios Sechia e Enza, nas fornandas de 23 a 25.04. Nesse movimento, a DI opera ao Sul da RV nº 9, rumo NW, ganhando rapidez, ligando as importantes cidades de Módena - Réggio Emilia – Parma - Fidenza – Piacenza. Cobriríamos e Eixo Modena-Piacenza.


- Prosseguindo o avanço, na tarde de 27.04, nossa DI é saudada por centenas de italianos, com flores e aos gritos de “Libertadores, Libertadores...”, “Finita la Guerra!” “La Guerra é Finita!”... Atingimos a cidade de Bibiano (100 Km à frente), às 17:00; nosso Grupo de Artilharia acantonando num Colégio. O Prefeito ofereceu um baile no Ginásio Municipal (até meia-noite). Quando já nos preparávamos para dormir, nossa 2ª Bia. Obuses recebe ordem de deslocamento para Collechio (a 70 milhas) e apoiar a ação de 1 Btl do 6º RI.

3 – Combate de Collechio-Fornovo (27/30.04)


- 26/27.04 – Ataque noturno do Btl Ramagem (6º RI), contra Vanguarda inimiga, em Collechio, fazendo 588 PG e grande quantidade de equipamento e material bélico. Barrado o acesso alemão à cidade de Parma. A DI ficou em condições de operar sobre Fornovo di Taro, onde deveria estar o grosso da 148ª DI alemã.


- 27.04 – Nova missão para 2ª BO: deslocar-se para Collechio e apoiar a operação do I Btl/6º RI ( Maj. Gross). Informações absolutamente vagas e imprecisas, a Bia atua isolada, as Peças atirando descentralizadas  (carta de 1:100.000, sem PTT, PTO; sem Regulação de Tiro; sem tiros observados). Problema inicial de falta de munição (apenas 126, nem o mínimo 360!) (resolvido, com a chegada de 1000 granadas, de Bibiano.


- 22.0 – Parlamentares alemães (3), liderados pelo Maj Kuhn cruzam a Linha (Gaiano) para negociar a Rendição, como propuzera o Cel Nelson de Mello (Cmt 6º RI). Maj Kuhn declara que a tropa era: 148º DI, mais Remanescentes da Div Bersagliere Itália, mais 90ª Diz (16000 hs, 4000 animais, 2500 viaturas, 1000 motos e 800 feridos, sem socorro).


- Dado o Vulto, o Cel Nelson de Mello dirigiu-se ao Gen M. Morais, que designou os coronéis Lima Brayner e Castelo Branco para Encaminharem negociações, em termos Incondicionais. Estabeleceu-se: a Artilharia brasileira cessaria Fogo, a partir de 0520/29.4, e que, às 1200, as Unidades se apresentariam ao P Coleta de PG, em Ponte Scodogna e Segalara.


- Durante as Negociações, alguns grupos descontentes (alemães) tentaram Romper o Cerco contra-atacando por 3 vezes, pela madrugada ( a Região de Segalara), mantida pela 3ª Cia/I Btl, sendo  repelidos, com baixas.


- 01.45/29.4. Ten Raposo recebe Mensagem do Cmt III GO, informando estar a luta terminada; Rendição Incondicional e a 2ª BO executasse a Última Missão (Rajada) contra os alemães. Cessar Fogo e Repousar na PB, até Nova Ordem.


- 05.40/29.04 – Parlamentares alemães Retornaram com o Esquema da Rendição – 1200/29.04. Na frente de Segalara e Gaiano, Novo Grupo de Parlamentares dirige-se ao Gen Mascarenhas de Morais com Novas Condições para a Rendição, sendo Energicamente Repelidos.


- 1300/29.4 – Desponta na Rv 62 a testa da 1ª coluna (Ambulâncias com Feridos Graves).


- 1800/30.4 – Apresentação do Gen Otto Freter Pico, com 31 Oficiais.

 

- Ensinamentos Recolhidos de Collechio-Fornovo  (Citar):


- Cel Ferdinando Foch (1895): “Na Guerra, não se faz o que se quer e, sim, o que se pode fazer. E, para poder pouco, é preciso saber muito, e bem”.


- Vontade, determinação para cumprir a Missão... é o Ensinamento.


- Historiador romano (400),  Flavius Renatus Vegetius, em “Instituições Militares (Romanas)”: “Na Perseguição às Forças batidas na Batalha Principal, quanto maior a Segurança... Maior o Perigo...”.


- (Aparente paradoxo, vitoriosamente aplicado pela FEB)


- Clausewitz (1832): “ Cada Coisa toma forma diferente, quando passa da Abstração para a Realidade. Cada Caso na Guerra, deve ser considerado e meditado segundo sua modalidade. Para Aniquilar o Inimigo, marchemos contra ele, sem trégua, sem descanso.


- Convém ver, nas Memórias do Mal. Mascarenhas, a Apreciação Crítica, altamente favorável, dos Chefes Aliados, sobre a Manobra Collechio-Fornovo di Taro.

F – 3 GLÓRIAS DA FEB


- CASTELLO (linha Gótica) (Combate Holocausto)

- Combate Sangrento, na Neve, a Tropas Especializadas, em G. Montanha.


- Inimigo: Domínio de Vistas/Fogos, sobre Posições brasileiras, Base de Fogos/Partida. EPS.


- Terreno: Defesa Fortificada (Casamatas), Protegidas por Campos de Minas.


- Após Vitórias (Set/Out 44) e Revezes (Nov/Dez 44), o Maciço Apeninos fôra Atacado com Meios Compatíveis (2 Divs).


- Atq (21.02.45), Vitória Moral, da Tenacidade e da Constância , dos “Pracinhas”.


- Vingadas Tentativas Anteriores; Vencido o Tabú do “Baluarte Inexpugnável”.


- Ao Custo, embora, de Centenas de Baixas.


- Atq 1º RI: Magnífica Manobra (Fixar e Desbordar).


- A Mais Brilhante Vitória da FEB e das Mais Eficazes do IV CEx/EUA.

2 – MONTESE (Linha Gêngis-Cã) (Combate Epopéia)


- Nossa DI fora Distinguida para a Ação Principal do IV CEx.


- O Mais Sangrento Combate (4 dias) e o de Maior Valia na Man. Ofensiva do CEx.


- Espírito Ofensivo, Cobertura Agressiva do Flanco Esq da 10ª DMth.


- Ação Contínua, Dia/Noite; Bravura (Individual/Coletiva)


- Grande número de Baixas; PG. Heroísmo/Determinação.


- Terrível Reação Inimiga à Abertura, no Maciço M/M/M, de 1 das Portas, que levaria ao Fim da Guerra na Itália (Noite 14/15 2800 Granadas alemãs sobre Bras/alemães).


- Atq do 11º RI+ II/1º RI; Vingada Guanela).


- Dados: 453 PG (50 of); 426 Baixas em Combate (34m/382 feridos/100 extraviados)

3 - COLLECHIO (Audácia) FORNOVO (Síntese) (Planície do Pó)     


- Ações no Quadro da Perseguição/Acabamento da Batalha.

- Colléchio, Prólogo de Fornovo di Taro.


- Pelo Imprevisto, Confronto de Vgs; Iniciativa/Ímpeto dos Executantes.


- Combate “de Encontro” (1 Btl em Collechio, 1 Btl + 1 BO em Fornovo, Parecia Oper. Limpeza.


- Único Combate em que a Cav pode Operar plenamente (Localizou/Hostilizou/Obrigou Inimigo a Desvendar o Dispositivo.


- Fornovo di Taro, Síntese da Trajetória da FEB, de Pisa ao Vale do Pó.


- Consagração da Manobra Estratégica; Tenacidade/Heroísmo, de mais de 7 meses de Luta Contínua, sem Desfalecimento



G – COMENTÁRIOS

1 – Afinal, Invocando a Corrente Filosófica da História, dos “Poderia ter sido”... a Campanha da FEB no TO Italiano (44/45), “Poderia ter sido Um Fracasso”:

- Pela maneira como Fora Mobilizada (Seleção Int/Fis/Psico Deficiente), Uniformes totalmente inadequados; sem nenhum Preparo Prof. Para G Moderna (M/T/G).


- Empregada progressivamente, na Luta, por Escalões, logo Desembarcada no TO.


- Recebendo Uniforme, Equipamento, Agasalho, Armamento Novo; sem tempo para treinamento dos GT.


- Aplicando 1 Doutrina T/Operacional e de Combate, Aplicando Métodos/Processos/Técnicas de Combate, Absolutamente diversas da D. Francesa.


- Enfrentando 1 Inimigo altamente Preparado/Adaptado a 1 TO, cujas L.Defesa Organizadas com Antecedência; Casamatas envolvidas por Campos de Minas, sob Fogos.


- Não afeita ao Combate em Montanha, sob T de, até, -20ºC.


2 – Enfim, para Surpresa das F. Aliadas – 1 Gpo Ex/2 Ex/ 5 CEx e 20 DI – e, Sobretudo, para Decepção  da 5ª Coluna  Nasi-Fascista, que Ficara no Brasil

– a Campanha da FEB, que Bem Poderia ter sido 1 Saga/Odisséia ou Tragédia, a Despeito de tudo – a Trajetória da FEB é Balizada por Excepcionais Vitórias, Confundindo-se e se traduzindo em Magnífica Epopéia; Exibindo 3 Glórias Máximas, no TO Italiano.


3 - Senão, Vêde, Sras, Srs.


- Em 239 Dias (9 meses), de Operações Contínuas/Ininterruptas, nos Apeninos/Vale do Pó/de (16.09.44 a 02.05.45), Percorreu/Combatendo, 400 Km; Libertou mais de 50 Vilas/Cidades – Apresenta os Seguintes Dados:


- 16 Vitórias (8 Notáveis) nos Vales Rio Serchio/ Reno/Panaro/Planície do Pó; 3 Reveses;


- PG Capturados: 2 Gen/892 Of/19679 Praças; Total 20573.


- Nossos Mortos: 13 Of/450 Pr/ 8 Of FAB; Total 451.


- Feridos/Acids: 1577, em Ação 1145, sendo 487 em Combate; Total 2067.


- PG 1 Of/34 Pr (Total 35): Extraviados – 10 Enterrados, 23 não Identificados.


- Efetivos da FEB: 15069 (Comb) + 10.265 (NC), Total 25.334.


- Divs Ini (Contato com FEB): 10 (Ale) + 3 (It), Total 13.


- Custo da FEB: 361 Milhões Dol.; última Prestação 01.07.54.


4 – A FEB, ao Atravessar o Atlântico, em 5 Escalões, e se Lançar no TO Italiano, para Participar das Campanhas, dos Apeninos e do Vale do Pó, Bem Poderia Ufanar-se/Orgulhosa, como as Legiões Romanas: “Alea Jacta est!” (A Sorte Está Lançada), a Partir de Pisa.


- E, ao Final,em Colléchio-Fornovo: “Veni! Vide! Vinci!” (Vim/Vi/Venci).


- O Brasil vingara os 36 Navios Afundados, 1.074 mortos, por 21 submarinos alemães e 2 italianos, no Litoral brasileiro.


5 – Bem Merecia a FEB, Fosse Imortalizada Nossa Vitoriosa Campanha e, Nela, a Trindade de Glórias (Castello/Montese/Coléchio-Fornovo), Distinguida/Enaltecida, pelos Maiores Encômios dos Chefes Militares Aliados (M.Clark/Crittemberg/Truscott/Olsen); Trilogia que Fulgura nos Fastos Militares do Brasil – que, pela 2ª vez em sua História Militar, Vê Regressar, Vitoriosos, 2 Chefes Militares (Caxias – 1870 e Mascarenhas – 1945); Glórias e Lauréis à Espera do Gênio de 1 Portinari, para Fulgurar, para os Tempos em Fora, O Que Fizeram os “Pracinhas, na Itália: 1 Painel, Simbolizando “Guerra e Vitória Final da FEB em 44/45”.


   E, Igualmente, Bem Mereceria 1 Medalha, binária com a “Cruz de Sangue” (3 Estrelas Vermelhas) – a “Cruz da Vitória da FEB (44/45)”, com 3 Estrelas Douradas, Significativas das 3 Górias: Castello/Montese/Coléchio-Fornovo.


6 – Pena ter sido “Extinta/Desmobilizada” tão Açodadamente, a Nossa DI.


- A Única DI brasileira, em Meio a 23 GU Aliados.


- A Única Tropa Sul-Americana a Participar de 1G Total/Global no Continente Europeu.